Nesta terça-feira (20.05), às 16h28, a direção do Sindicato dos Servidores
Públicos Municipais de Chapada dos Guimarães (Sinspumcg), depois de quase 2 horas de espera, foi recebida para a primeira
audiência com o prefeito em exercício de Chapada dos Guimarães. A audiência estava
marcada para às 14h30, no gabinete do prefeito.
O vice-prefeito Lizu Koberstain
que assumiu a prefeitura de Chapada dos Guimarães, no lugar do prefeito
José de Souza Neves que foi afastado pela Justiça pelo prazo de noventa dias, fez um relato da difícil situação que o município se encontra e pediu paciência
ao sindicato para organizar a casa. Além
do prefeito em exercício, também participaram da audiência o assessor jurídico Manoel Antônio de Rezende David,
a secretária de educação, Atanilza Maria dos Santos e o procurador geral da prefeitura, Jair klasner.
O presidente do Sinspmucg, Sebastião Raldinei de Oliveira, iniciou a audiência resgatando os compromissos assumidos pelos Gestores Públicos na última audiência que aconteceu no dia 30 de abril. O procurador do município, Luciano Português, havia pedido quinze dias para apresentar uma nova margem de reajuste salarial, superando os 5,51%, tendo em vista a data base dos servidores públicos e marcou para o dia 13 de maio, uma nova audiência. O presidente do sindicato ainda citou os ofícios encaminhados pelo sindicato solicitando os relatórios sobre a arrecadação e as despesas do Município, principalmente os gastos com pessoal, informações que o sindicato tem solicitado desde 2013, após a greve.
Ainda, o presidente apontou os problemas com a troca de sistema, os
erros na folha de pagamento que tem causado prejuízos aos servidores. “São várias
irregularidades cometidas na folha de pagamento, como salários errados,
faltando pagar horas-extras, licenças, elevações de classe e nível e outros
direitos como insalubridade e adicional noturno”, cobrou o professor Ney,
lembrando o erro na emissão da Cédula C causando um impacto grande na
declaração do imposto de renda de muitos servidores.
A assessora jurídica do sindicato, Ignês Linhares, faz
um histórico das reuniões e ofícios encaminhados
pelo sindicato, que desde fevereiro vem cobrando os dados em relação ao balanço
geral da prefeitura, sobre o que seria os gastos com folha de pagamento e
números de contratação e nada foi informado, nada avançou. “Os servidores estão cansados de esperar. É
preciso apresentar uma proposta de valorização da carreira e melhoria do salário dos servidores”, afirmou a advogada do
sindicato ressaltando que a valorização dos servidores públicos passa também
pelo bom funcionamento da maquina publica.
A direção do sindicato voltou a cobrar as medidas
de contenção de gastos com a folha de pagamento, enxugamento da máquina pública
e a retomada do debate sobre a reformulação dos PCCS de todas as categorias e
Estatuto dos servidores públicos.
O assessor jurídico, Dr. Manoel , afirmou que a
prefeitura não tem segurança em assumir a
proposta apresentada pela gestão anterior que foi de 5,51%, pois não tem
nenhum dado sobre a situação financeira
da prefeitura. “Hoje não sabemos quais são os gastos da prefeitura e nem quanto
arrecada”, afirmou o assessor jurídico.
Outro ponto destacado pelo assessor jurídico da
prefeitura foi sobre a necessidade do Legislativo acompanhar as negociações com
os servidores públicos. “Qualquer proposta que
seja formulada precisa ser aprovada pelos parlamentares, por isso a
necessidade que estejam cientes para garantir a aprovação com maior agilidade”,
ressaltou o Dr. Manoel. O assessor ainda manifestou a preocupação com a defasagem
salarial dos servidores públicos estabelecendo uma diferenciação entre aos
servidores da Educação e a da saúde que tem recursos próprios com os demais
servidores.
Em relação à defasagem salarial entre as
categorias, o professor Nei explicou que o sindicato já havia se antecipado a esse
problema. O sindicato apresentou uma proposta com reajuste escalonado, de forma
a estabelecer uma política de valorização salarial que além de corrigir a defasagem salarial, garantisse também o aumento real de salário dos
servidores públicos ao longo dos anos da administração . “Mas, infelizmente não
houve nenhum avanço nas negociações”, lamentou o presidente do sindicato.
O prefeito Lizu Koberstain se comprometeu em apresentar
até o dia 15 de junho um diagnóstico da capacidade financeira do município e pediu
a colaboração e a paciência do sindicato que se possa “arrumar a casa” para
então apresentar uma proposta de recomposição salarial.
Uma das propostas sugerida pelo advogado da
prefeitura foi estabelecer uma parceria com o sindicato para potencializar a
arrecadação do município. Ele sugeriu que
os servidores públicos autorizassem o desconto do IPTU na folha de pagamento,
como uma alternativa de melhorar a arrecadação do município. A direção do
sindicato questionou e cobrou outras medidas como o fim da especulação imobiliária e a regularização dos terrenos.
Ainda o
presidente do sindicato falou em relação aos 50% dos servidores de carreira em
cargos comissionados, insatisfação, assumindo responsabilidades sem a devida
valorização. “Hoje, um servidor contratado chegam a ganhar mais que o servidor de carreira”, apontou a
secretária de finanças do sindicato, Anildes Machado.
Também foi cobrado o pagamento dos servidores da
fundação de saúde até o 10º dia do mês, conforme prevê a legislação do
município como é efetuado o pagamento dos demais servidores públicos. “Os
trabalhadores do Hospital tem sido penalizados com o pagamento dos seus
salários até o dia 20 do mês, pagando juros e multas de suas contas”, reclamou a
1ª secretária de finanças do Sinspmucg, Lucilene Martins Barbosa Albernaz.
O procurador do município reforçou o discurso do
prefeito e do assessor jurídico de que a prefeitura precisa de prazo para tomar
ciência das coisas e se organizar, só assim poderá atender todas as
reivindicações dos servidores públicos. “A falta de dados, de condições para
responder as demandas tem gerando cada vez mais gastos a máquina pública e a
partir do momento que tivermos o conhecimento da situação poderemos tomar decisões
responsáveis”, explicou o procurador relatando situações em que o município
pagou a conta por não responder ações jurídicas a tempo.
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